Aparelho criado na UFPB ajuda ensino de música para surdos

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) criou um aparelho portátil inédito no mundo que facilita o ensino de música para surdos e para deficientes auditivos. Denominado de MagMusic (foto), o dispositivo funciona a partir de sinais luminosos, diferente dos registrados no planeta, que operam por meio de vibração.

Foi desenvolvido pelo pesquisador Magnaldo Araújo, enquanto atuou como professor substituto no Departamento de Educação Musical da UFPB, no ano passado, em parceria com o especialista Liebson Henrique, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).

A ideia do projeto surgiu durante a orientação de um trabalho sobre ensino de música para surdos, na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), onde Magnaldo Araújo exerceu o cargo de professor substituto antes de seguir para a UFPB.

Nessa época, também teve acesso a um vídeo que relacionava música à matemática, através da associação do tempo de uma composição ao dos ponteiros de um relógio. Era o que faltava para conceber o formato do MagMusic, cuja patente de Nº BR1020170220788 está catalogada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). “Antes de tentar patenteá-lo no INPI, investigamos em bases de propriedade industrial de todo o mundo: Brasil, Estados Unidos, China, por exemplo. Constatamos nada parecido”, conta Magnaldo Araújo, hoje professor de Música do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

Neste momento, o docente está auxiliando o desenvolvido de um aplicativo para telefone celular com a mesma funcionalidade do MagMusic. O software será o produto de uma monografia de estudante do curso de Técnico em Informática do IFRN, orientada por ele, com previsão de conclusão em agosto 2019.

Em paralelo, o Magmusic está sendo testado no Centro Estadual de Capacitação de Educadores e Atendimento ao Surdo (CAS), em Mossoró, no Oeste Potiguar. Além disso, uma startup será criada, com a ajuda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para comercializá-lo.

Neste ano, o caráter inovador do Magmusic foi reconhecido pelo Prêmio de Inovação Tecnológica Professor Delby Fernandes de Medeiros, da Agência UFPB de Inovação Tecnológica (Inova-UFPB); pela Semana de Ciência, Tecnologia e Extensão do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (Secitex); e pela Campus Party Natal, como projeto educacional do futuro.

Linguagem Visual

A inovação do Magmusic é promover a educação musical inclusiva de surdos e deficientes auditivos por meio de uma linguagem visual de sinais luminosos emitidos por lâmpadas. Dessa maneira, é possível executar células rítmicas presentes em músicas e em exercícios musicais.

Ao ser acionado, o aparelho emite sinais luminosos que simulam pulsações rítmicas ajustadas por Batidas Por Minuto (BPM), onde cada lâmpada do aparelho tem uma função mobilizada pelo microcontrolador de acordo com a configuração inserida pelo usuário.

Neste vídeo, Magnaldo Araújo faz demonstração do dispositivo em atividade. Na página da invenção, ensina o passo a passo para construir o artefato e fazer o download dos arquivos necessários para operacionalizá-lo.


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