CASO RHUAN: Pai consegue abraçar filha que presenciou assassinato do garoto de 9 anos

Menina está no Conselho do DF – Foto: Metrópoles

Uma semana depois de reencontrar o pai, Rodrigo Oliveira, a menina de 8 anos que presenciou o esquartejamento de Rhuan Maycon da Silva Castro, de 9 anos, conseguiu abraçá-lo. Os dois não se viam há cinco anos. A separação havia sido forçada pela mãe, Kacyla Priscyla Santiago Damasceno, 28, que confessou ter auxiliado a companheira Rosana Auri da Silva Castro, 27, a cometer o crime, em 1º de junho.

O processo de reaproximação está sendo realizado no Distrito Federal. De acordo com a conselheira tutelar Cláudia Regina Carvalho, a volta para Rio Branco (AC), onde o pai vive, ainda não é possível neste momento. “Continuamos trabalhando o vínculo afetivo. Ela já consegue abraçar o pai, mas ainda há uma resistência à figura masculina”, explica.

Há cinco anos a família do garoto o procurava

O contato entre pai e filha tem sido diário. Ele desembarcou em Brasília um dia depois do assassinato e se manteve na cidade desde então. A presença paterna é fundamental para que a criança consiga se desfazer de algumas predisposições. “Ela não fala explicitamente o motivo da recusa e não fala mais nada do que aconteceu. O que precisamos é ter calma”, diz.

A evolução é vista como positiva por Cláudia, mas ela afirma que há muito o que se trabalhar. “Ainda não dá para precisar o tempo que será necessário até que ela possa ser liberada. A alienação [parental] feita nela foi muito grande. Ainda mais sendo uma criança, é preciso ter todo o cuidado”, conta.

Histórico – A menina vivia com a mãe, a companheira e Rhuan desde que as mulheres fugiram de Rio Branco com as crianças, há cinco anos. Nesse período, há informações de que as duas adultas praticavam golpes, inclusive com a suspeita da participação dos menores, que não frequentavam a escola nem tinham acompanhamento médico. Tudo para não levantar suspeitas de onde estariam e evitar a localização por parte das famílias.

O homicídio ocorreu na noite de 31 de maio, quando Rosana matou o garoto com a ajuda de Kacyla Priscyla. Nos 30 dias que antecederam o assassinato, a mãe do menino e a companheira praticaram diversos golpes na QR 619 de Samambaia Norte, onde moravam, de acordo com a Polícia.

As duas mulheres esconderam a criança dos vizinhos para fazer apelos de caridade. Um dia antes do crime, a mãe de Rhuan pediu R$ 400 a um pastor de uma igreja das redondezas para comprar comida. Ele teria aceitado ajudar, mas com a condição de que precisava conhecer o local onde ela morava com a namorada, o filho e a enteada.

Golpes – Segundo relato dos vizinhos que testemunharam a conversa, a mulher se calou com a condição que o pastor impôs e deixou o assunto de lado. Ter contato com uma das crianças era uma coisa rara para qualquer um dos moradores. As informações foram confirmadas pelo delegado responsável pelo caso, Guilherme Melo Sousa.

A perícia na casa das duas mulheres revelou que elas organizaram malas e documentos antes do assassinato. A polícia acredita que as duas pretendiam fugir após o crime, sem honrar o valor do aluguel da residência que ocupavam, num lote de esquina do Conjunto 3 da QR 619. As investigações também revelaram registros de golpes semelhantes aplicados pela dupla em cidades de Goiás, por onde passaram.

O visual feminino da vítima era cultivado pela mãe e pela companheira há pelo menos um ano, quando elas teriam mutilado o órgão genital do garoto com a justificativa de realizar uma cirurgia caseira de mudança de sexo. Nas palavras das assassinas, era desejo da criança se tornar uma menina. A Polícia Civil confirmou o ocorrido com base em depoimentos de Rosana, que teria feito suturas com materiais rudimentares e evitado infecções com procedimentos pesquisados na internet.

“A gente acredita que elas não deixavam os meninos irem à escola havia cerca de dois anos, com medo de alguém descobrir sobre essa cirurgia”, disse o delegado Guilherme Sousa. Outra razão era o fato de ambas serem procuradas pelas famílias paternas de seus filhos, pois teriam violado um acordo judicial de guarda compartilhada e fugido com as crianças para viver na clandestinidade.

Redação PB Debate com Metrópoles

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