DECEPCIONADO: Ex-deputado paraibano anuncia despedida dos cargos públicos

Ramalho Leite, presidente da APRB (Foto: Francisco França/Secom)

O ex-deputado estadual e federal, escritor, jornalista e advogado,Ramalho Leite, publicou novo artigo em sua coluna no Portal WSCOM, nessa sexta-feira (12), em que relata sua decepção com a classe política atual e anuncia a sua despedida dos cargos públicos. Durante a leitura do texto, Ramalho cita os tempos áureos em que atuou como parlamentar e a representativa do cargo à época e faz um comparativo com a atual situação, sobretudo, das casas legislativas que vivem em fase de “deteriorização”.

“Agora tudo mudou. Os apoios duram pouco e mudam com o vento. Basta que sopre uma melhor vantagem vindo de outra direção. As desculpas são as mais esfarrapadas. E às vezes, românticas. Se fala em namoro, noivado e casamento como fases preparatórias da união política. Mas basta uma das partes não concordar com o regime da comunhão de bens e o casamento se desmancha”, escreve Ramalho Leite.

CARGOS PÚBLICOS

Mesmo após deixar a disputa por mandatos eletivos há anos, a experiência política e técnica de Ramalho Leite tem sido requerida por gestores públicos, o que o levou a ocupar cargos em diversas gestões estaduais. Atualmente, ele ocupa a função de presidente da Agência de Regulação do Estado da Paraíba, mas adianta que deverá deixar o cargo nos próximos dias, encerrando um ciclo de anos de serviços prestados.

“Como hoje em dia sou um leão sem dentes, me incluam fora dessa arena. (P.S: está próxima semana, despeço-me do último cargo público que ocupei. Volto à planície. Sou um político sem mandato, um advogado sem causas e um jornalista sem jornal. Mas estou vivo e forte, graças ao bom Deus)”, escreve.

CONFIRA A COLUNA NA ÍNTEGRA:

ME INCLUAM FORA

Quando leio os acontecimentos da política paraibana nos dias atuais, chego a conclusão de fiz muito bem em não tentar voltar a uma cadeira parlamentar. Aproveitei bem o meu tempo, dei a minha contribuição, por mais modesta que tenha sido e a encerrei com o advento da nova Constituição Estadual. Os tempos eram outros. O parlamentar era respeitado e o político estimado. Ao ocupar uma vaga na Câmara Federal já no pós-Collor, vivi o início da era da deteriorização da imagem da classe. Sempre que saia à rua, mesmo em Brasília, tinha a preocupação de retirar da lapela o broche que identifica o membro do Congresso Nacional. Em Fortaleza, era diretor do Banco do Nordeste e para facilitar o ingresso em um estacionamento oficial mostrei minha identidade parlamentar. O guarda olhou com desdém e comentou:

– Vocês tão levando os tubos…passa! Deveria estar se referindo aos subsídios dos parlamentares. Foi a última vez que exibi a carteirinha que tanto me orgulhou conquistá-la.

Vivi outros tempos. Era vice-líder do Governo Ivan Bichara. Antes de ir ao aeroporto recepcionar Antônio Mariz que anunciava uma dissidência contra a decisão do Planalto que escolhera Burity para governador indireto, renunciei ao posto. A dissidência foi consumada e não houve pressão, aceno, vantagens oferecidas que demovessem os nossos propósitos. Todos os deputados dissidentes permaneceram firmes até o final da disputa. E se vivia o auge do poder militar. 

Os convencionais, mesmo confinados no Hotel Tropicana e arrebanhados em grupos para a convenção na AL, votaram com independência e perdemos por muito pouco. Essa posição me custou o mandato, reconquistado, porém, quatro anos depois.

Agora tudo mudou. Os apoios duram pouco e mudam com o vento. Basta que sopre uma melhor vantagem vindo de outra direção. As desculpas são as mais esfarrapadas. E às vezes, românticas. Se fala em namoro, noivado e casamento como fases preparatórias da união política. Mas basta uma das partes não concordar com o regime da comunhão de bens e o casamento se desmancha.

O debate chega a ser impróprio para menores. Nas ofensas, até o reino animal é atingido. Como hoje em dia sou um leão sem dentes, me incluam fora dessa arena. (P.S: está próxima semana, despeço-me do último cargo público que ocupei. Volto à planície. Sou um político sem mandato, um advogado sem causas e um jornalista sem jornal. Mas estou vivo e forte, graças ao bom Deus).

Redação Paraíba Debate com WSCOM

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