“Estão esperando pela morte dela ou do festival?”: Filha de Eneida desabafa nas redes sociais

A filha de Eienda Agra Maracajá, a psicanalista Myrna Agra Maracajá, postou ontem em suas redes sociais, um desabafo em relação ao que a mãe está enfrentando, correndo o risco de não pode realizar os 45 anos do Festival de Inverno, após roubo sofrido por funcionária pública municipal cedida à ONG Solidarium, responsável por realizar o evento.

Tanto a Prefeitura, quanto a ONG já se pronunciaram sobre o assunto com notas oficiais e o caso está sob investigação da Delegacia de Defraudações de Campina Grande.

A servidora que é parente de um vereador da base aliada do prefeito ainda não foi ouvida pela Polícia e conforme informações de pessoas ligadas ao festival, ela recebeu licença prêmio.

Em postagem ontem (5) no facebook, a filha de Eneida resumiu o sentimento dela em relação ao momento que a mãe está passando, deixando claro nas entrelinhas, o descontentamento em relação a alguns pronunciamentos que foram feitos oficialmente e na mídia online.

Confira a postagem:

“Quando pensarem em uma mulher forte, seja em que circunstância for, lembrem de Eneida Agra Maracajá. Uma mulher que começou a trabalhar aos 9 anos de idade, para ajudar a mãe, viúva, a sustentar seus 10 filhos e, que, por isso, só conseguiu se formar aos 40 anos de idade. Uma mulher que vem trabalhando pela cultura há mais de 50 anos, VOLUNTARIAMENTE, sem nunca querer receber remuneração, pois seu sustento sempre foi como professora. Já bebeu muito fel nos gabinetes, já foi humilhada, destratada, ridicularizada nas secretarias. Já acampou nas salas dos poderosos, para poder ser recebida à força. Já baixou hospital inúmeras vezes, adoecida pelo trauma do descaso. Nunca pediu para si, mas para a cultura. Nunca amealhou posses, apenas sonhos. Passando dos 80 anos, mora de aluguel e anda a pé, pois nem tem carro e nem tem casa. Criou a escola mais moderna de Campina Grande, o Instituto Nossa Senhora da Salete. Criou o mais antigo festival de artes do Nordeste e o segundo do Brasil – Festival de Inverno de Campina Grande. Criou o Circo da Cultura. Criou Polo de Extensão. Criou Cultura no Presídio, Folias de Natal, Projeto Girassol, Bloco da Saudade, Tamanquinhos das Artes e muito mais coisas que não me lembro agora, no calor da emoção. Primeira paraibana a ser premiada pela Revista Cláudia. Tem medalhas e troféus de honra ao mérito pela cultura, em todos os Estados brasileiros. Respeitada e amada pelos grandes astros da nossa cultura, desvalorizada e rechaçada pelos salamaleques do poder, ao longo desses 44 anos. Agora, ficará com a alcunha de caloteira da cultura? É isso? Estão esperando pela morte dela ou do festival? Ou ambos? Saibam que o Festival não é de Eneida, é de Campina Grande. Lutem por ele, não deixem que vire peça de museu!”

Redação Paraíba Debate

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