EXCLUSIVO: Cadelinha de Monte Horebe morre, idosa, depois de dois anos de bons tratos em JP

Alaíde – Fotos: arquivo ONG Missão Patinhas Felizes

Uma cadelinha que ficou famosa devido ao drama de viver nas ruas e ser ameaçada de sacrifício por um padre da cidade de Monte Horebe, no Sertão da Paraíba, enfim morreu em dezembro de 2018. Idosa e ferida numa briga com outras cadelas da ONG Missão Patinhas Felizes, em João Pessoa, Alaíde não resistiu. Mas antes, a cadelinha foi feliz por dois anos e meio com a adotante Andreia Medeiros

“Alaíde era muito temperamental. Brigava muito com as fêmeas do abrigo. Ela chegou a ficar sozinha durante mais de ano, num espaço só dela. Mas uivava muito quando estava só. Então chamei um adestrador, Josué Miranda, que a adestrou para a convivência com os outros cães. Assim que eu a adotei, mandei castrar, mantive as vacinas em dia e ela estava pesando 35 kg”, descreveu Andreia.

Alaíde – Foto: arquivo

O quadro da cadelinha, quando a adotante a pegou, era já de um animal na terceira idade. Alaíde tinha alguma miscigenação com huskie siberiano e pastor alemão e estava apenas com quatro dentes.

Alaíde na praia – Foto: arquivo

“Ela foi muito feliz enquanto viveu aqui. Ela dormiu comigo no meu quarto um tempo, a gente levava ela para a praia, porque ela adorava tomar banho de mar. Fizemos o que pudemos para mantê-la bem tratada”, explicou.

Mas um dia, depois de brigar com três cadelas do abrigo, Alaíde foi bastante ferida por elas, apesar de Andreia apartar a briga sozinha. “Levei-a para o veterinário às presas, ela ficou três dias internada, tomando antibiótico forte. Apresentava melhoras no quadro de saúde, dia após dia. Mas no terceiro dia, ela não resistiu e morreu. Ficamos arrasadas de tristes, porque nos apegamos muito a ela”, contou.

O resgate – Andreia e uma colega Michele viajaram mais de mil quilômetros, cruzando todo o Estado para resgatar Alaíde. No momento do resgate, a imprensa nacional cobriu o fato. Foram quase 24 horas de viagem. Michele levava a cadela no colo e Andreia dirigia. A chegada na ONG foi cansativa, mas necessária para Alaíde ter uma nova chance de viver bem, mesmo por pouco tempo.

“Ela foi muito feliz. Gostava muito de humanos. Só tinha esse traço de personalidade, de dominação do território, em relação a outras cadelas. Mas ela viveu muito bem, em comparação ao que sofreu nas ruas, lá em Monte Horebe. Foram dois anos e meio de muito apego, de minha parte e da parte da minha mãe”, relatou Andreia.

O caso ficou tão conhecido que as pessoas não paravam de pedir para adotá-la, empolgadas pela viralização da notícia, que também foi publicada pelo portal Paraíba Debate. “Eu, justamente, não dei ela à adoção porque ela era pesada, fujona, uivava quatro vezes à noite, enfim, ela dormia comigo no início, na cama. Mas começou a atacar os idosos de dentro de casa. Os pequenos. Tinha que ter muita atenção quem fosse cuidar dela. Por isso, achei melhor cuidar eu mesma”, relembrou.

Campanha – Andreia explicou que o trabalho da ONG não é apoiado pelos governos, além de ser voluntário. “Resgatei há pouco tempo Assis (um cachorrinho), na cidade Bonito de Santa Fé. Cortaram o pênis desse animalzinho. Então, a gente vive para esse trabalho. Cuidamos de animais maltratados, no fim da vida. Mas Alaíde foi o único resgate meu conhecido que chegou a falecer”, falou.

Quem quiser colaborar com a nova campanha da ONG, para a construção dos canis e gatis, é só entrar aqui, e doar quanto puder. A campanha começou no final de março e vai até 28 de dezembro deste ano. “É muito importante ajudar a quem ajuda esses animais. Atualmente, a Missão Patinhas Felizes tem mais de 100 cães e outras dezenas de gatos. Nunca falta o que fazer. Se quiserem colaborar, mandem um direct pelo nosso Insta“, concluiu.

Valdívia Costa/ PB Debate

LEIA A PRIMEIRA MATÉRIA SOBRE ALAÍDE:

Padre quer sacrificar cadelinha que assiste missa em Cajazeiras

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