“Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia” na Paraíba será no aniversário da morte de Marielle

Marcha de 2017 – Foto: Túlio Martins

Nesta quinta-feira (14) faz um ano do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Para protestar a falta de solução para o crime, a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia” será realizada neste dia, na cidade de Remígio, no Brejo da Paraíba. Na 10ª edição, a marcha tem o tema “Racismo e a mulher negra” e retorna ao município onde nasceu. A concentração será às 8h no Campo de Futebol “O Dedezão”, no bairro Alto da Colina. São esperadas pelo menos 5 mil mulheres agricultoras.

Como acontece a alguns anos, a pernambucana Lia de Tamaracá fará um show ao final da caminhada. O evento é realizado pelas mulheres agricultoras do Polo da Borborema, em parceria com a Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA). O Polo é uma articulação de 13 sindicatos de trabalhadores rurais, que há mais de 20 anos atua pelo fortalecimento da agricultura familiar agroecológica no território. Conforme a AS-PTA, no Polo, trabalhe cerca de 20 mil pessoas, considerando que cada família tenha 4 a 5 membros.

As agricultoras trabalham em circuitos locais ou cadeias curtas, produzindo para uma rede de 12 feiras agroecológicas, uma em cada município. A produção agroecológica vai também para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Já houve casos de exportação da batatinha, por exemplo, para uma empresa do Sul do Brasil.

Marcha – O evento surgiu em 2010, com dois objetivos, dar visibilidade ao papel das camponesas na agricultura familiar e denunciar todas as formas de violência contra a mulher.
A marcha acontece tradicionalmente no 8 de março, dia internacional da mulher. Este ano, as mulheres da Borborema unirão o seu grito ao das milhares de vozes exigindo justiça para Marielle e para todas as vidas negras ceifadas pelo machismo, racismo e pela violência de gênero. Como em todos os anos, a marcha elege um tema específico para ser aprofundado nas dezenas de encontros de preparação que acontecem nos 13 municípios.

Teatro e música – A marcha tem início na concentração com a recepção às caravanas que trarão agricultoras dos municípios onde o Polo atua e também de outras regiões do Estado e de Estados vizinhos. São representantes do movimento de mulheres do campo e da cidade. Após esse momento, a peça de teatro “Como se fosse da família” debaterá a exploração de mulheres negras no trabalho doméstico, realidade vivida por muitas camponesas.

Marcha de 2017 – Foto: Flávio Costa

O espetáculo é encenado pelo grupo de teatro amador do Polo da Borborema, no qual a personagem “Zefinha”, jovem agricultora, se vê obrigada a ir para a cidade e se inserir no trabalho doméstico para ajudar na renda familiar. “Em 2019, quando o movimento de mulheres do Polo da Borborema torna-se mais maduro, assume a necessidade de tratar e incorporar o enfrentamento do racismo como uma bandeira de luta. Num contexto de perda de direitos, é fundamental que as mulheres possam continuar marchando conscientes de quem são e de que a luta antirracista é de todos nós”, analisa Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA.

Por volta das 10h, a caminhada sairá pelas ruas centrais da cidade, cruzando a BR-104 e com dispersão no Parque Senhor dos Passos ou Parque da Lagoa. Na chegada da caminhada, haverá a tradicional feira com exposição de experiências, venda de produtos agroecológicos e artesanato, trabalhos das agricultoras da Borborema.

Para Roselita Vitor, agricultora de Remígio, nesses 10 anos, a marcha fez com que as mulheres se encontrassem e refletissem sobre a vida e a importância do trabalho. Segundo ela, outro ganho é no enfrentamento à violência: “Ao trazer para o público algo que sempre foi privado como a violência doméstica, a marcha empoderou muitas mulheres. A violência existe e ela não pode conviver com a agroecologia”, avalia.

Programação:

8h – Acolhida das caravanas/música

9h – Abertura oficial

9h10 – Apresentação peça teatral: “Como se fosse da família”

9h30 – Testemunhos

10h – Saída da Marcha

11h – Chegada ao Parque da Lagoa | Feira das Margaridas

11h15 – Lia de Itamaracá

12h30 – Mística de encerramento

Valdívia Costa com Ascom

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