Menor cidade do Brasil tem índice zero de criminalidade

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Um lugar pacato, de poucas ruas, casas e habitantes. Está é Serra da Saudade, cidade do interior de Minas Gerais, que, com apenas 812 habitantes, é a menor do Brasil. O local parece ter parado no tempo. Não há táxis, hotéis, restaurantes ou até mesmo postos de combustíveis. Mas preserva aquilo que, para os habitantes, talvez seja o maior patrimônio da cidade, a tranquilidade e o sossego.

Serra da Saudade, além de pequena, também é jovem. A cidade tem apenas 55 anos. Antigamente, era o local de um acampamento de operários que trabalhavam na construção de uma ferrovia, que ligava Paracatu, no norte de Minas Gerais, à Belo Horizonte.

A pacata cidade não abre mão das velhas tradições. Todos os comércios fecham na hora do almoço. Das 11h até as 13h, ninguém trabalha no município.

Mas a tranquilidade não chama a atenção apenas dos mais velhos. A pedagoga Ludmila Lopes, não consegue se ver longe da cidade.

“Eu tenho tudo o que eu preciso aqui. Meus amigos, minha família. Tenho o suporte. Serra da Saudade é uma cidade muito acolhedora”, disse a pedagoga Ludmila.

O principal motivo para os moradores não quererem sair de Serra da Saudade talvez seja pela falta de problemas que acometem a maioria das cidades grandes. Por lá, portas e janelas trancadas são inexistentes. Os moradores não precisam se preocupar com a insegurança.

O último crime violento de que se tem registro, um homicídio, ocorreu há mais de 60 anos, quando o local ainda nem era um município. O sargento Carlos Júnior afirma que os policiais da cidade costumam atender apenas ocorrências corriqueiras, como brigas e discussões.

O município não tem um hospital, apenas um posto de saúde, o que não parece ser um problema para a população. A farmácia é cheia, e nunca teve falta de medicamentos. A enfermeira Juliana Oliveira até brinca que no lugar, não há filas para nada. O número de habitantes é tão baixo, que em uma semana todos foram vacinados contra a febre amarela.

Casos mais urgentes, ou que dependam de especialistas, são tratados na cidade vizinha, Dores do Indaiá.

Mas o posto de saúde de Serra da Saudade pode ajudar quando o problema está na arcada dentária. Alexandre Bacelar é o único dentista da cidade, e acredita que isso seja suficiente para atender a todos.

“Aqui é muito pequenininho, então todos que vêm aqui, a gente conhece. Consegue resolver o problema de todo mundo”, afirmou o dentista Bacelar.

A única escola da cidade é municipal. Os 110 alunos começam as aulas as 9h, mas sempre tomam um café da manhã reforçado, além de almoçarem também no colégio.

Mas para um local que parece ter parado no tempo, quem quer um pouco de modernidade, consegue facilmente. A internet é de graça na cidade.

Serra da Saudade tem um orçamento de R$ 8 milhões, e nada de dívidas, além de nove vereadores, o mínimo exigido por lei.

Apesar do amor dos moradores pelo local, a cidade parece não conseguir crescer, e tem diminuído aos poucos o número de habitantes, pois o número de mortes supera o de nascimentos. Outro motivo, é que a cidade não comporta novos moradores, e está na capacidade máxima. Quem vem de fora, não consegue lugar para morar.

Pequena no tamanho, mas gigante nos ensinamentos. Inesquecível para quem visita, inestimável para quem fica. Não por acaso, essa serra tem saudade até no nome.

Da Redação com R7
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