“O IMPORTANTE É TER SEM QUE O TER TE TENHA”

             Retorno a escrever após alguns meses afastados de tal atividade. Algumas questões pessoais me afastaram, mas hoje outros motivos mais fortes me trazem de volta.

            Começo com o título desta coluna de hoje, uma frase de Millôr Fernandes, que encontrei em um capítulo do livro“Viver em Paz para morrer em paz”, do Professor Mário Sérgio Cortella. O Capítulo 10 deste livro é intitulado “A graça da vida”. Em tal capítulo são apresentadas algumas considerações muito conhecidas de todos, mas que talvez passe despercebido. Aliás, creio que muitas pessoas não consideram esses aspectos importantes: o desapego é um deles.

            São Francisco de Assis afirmava que uma pessoa pode até possuir algo, mas jamais se deixar possuída por aquilo. Ser escravo do objeto de posse nos impossibilita de vivermos novos horizontes, de viver o novo em nossa vida, de estar aberto a novas experiências. Ser escravo dos objetos nos impossibilita de olhar que existe algo muito melhor ao nosso redor.

            Esse sentimento que falo, de ser escravo do objeto, pode fomentar algo muito perigoso, que é tornar esse objeto o balizador de nossas relações, ou dessas novas experiências que poderiam ser vividas. Posso ilustrar com um exemplo: achar que pelo fato de possuir uma maior titulação acadêmica, você estaria mais capacitado ou teria melhores possibilidades de desenvolver uma determinada atividade. Poderia apresentar outro exemplo: o “filtro” financeiro (econômico) que é utilizado na escolha de pessoas que poderão liderar grupos, como Associações, Comunidades, ONGs,Pastorais.

            Esse “filtro” além de ser preconceituoso, poderá gerar um sentimento de incapacidade perante aqueles que não foram aprovados no “filtro”. Aqueles que realmente possuem o íntimo desejo de ver uma causa ir adiante, pouco importa a posição que ocupará no grupo, bem como o quanto contribuirá financeiramente para essa causa. Pois, o que parece ser pouco para uns, era tudo que o outro tinha para viver. E mesmo assim ele,esse outro que falo, está ali servindo e olhando o horizonte a ser alcançado pelo grupo.

           O homem tem direito a posse, a propriedade privada. Mas que isso não seja motivo de separação, segregação de pessoas. Está aberto ao “desapego” é acreditar que aquilo que você é ou possui, não será o balizador do meio em que você vive. Existem outros critérios. Existem outras possibilidades. Estar aberto ao “desapego” é fomentar o sentimento de partilha. É crer que quanto mais você for agraciado, maior deverá ser o seu empenho em retribuir isso pelo seu próximo. É você se colocar de forma equivalente ao seu próximo, ainda que ele seja privado de posses, de recursos financeiros. Pois aos olhos de Deus, somos todos iguais. E TUDO PASSA!

Por Bruno Allison Araújo

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Autor: Percepção

Possui graduação em Engenharia Mecânica (UFCG-2008), bem como Mestrado (PPGCEMat/UFCG-2009) e Doutorado PPGCEMat/UFCG-2013), ambos em Ciência e Engenharia de Materiais. Durante 3 anos e meio (2010-2013) foi Colaborador Externo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA-DF). Atualmente é Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Campus Esperança, onde vem atuando em projetos de pesquisa em Materiais e Processos de Fabricação, bem como desenvolvendo projetos na temática Educação.