Pocinhenses participam de cateterismo inédito no Metropolitano

Equipe da cirurgia – Foto: Secom

Dois profissionais da área de Saúde da cidade de Pocinhos, no Agreste da Paraíba, participaram de um procedimento cirúrgico inédito no Estado. O enfermeiro e diretor técnico Gilberto Teodozio e o técnico em radiologia Edvaldo Inocêncio realizaram o primeiro cateterismo em adolescente, no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires. A cirurgia foi na terça-feira (10) e serviu para tratar uma cardiopatia congênita. A doença foi identificada por exames realizados na Caravana do Coração, este ano, na cidade de Cajazeiras, no Sertão.

Edvaldo contou que, na oportunidade, ele estava operando a máquina de hemodinâmica, que emite os raios x para adquirir as imagens. Segundo ele, o procedimento é feito através de um cateter e introduzido pela artéria, o que o torna minimamente invasivo. A cirurgia foi guiada por modernos equipamentos que emitem imagem em três dimensões (3D) dos vasos sanguíneos para o cirurgião.

Equipamentos modernos

O procedimento auxiliou na avaliação de uma possível hipertensão pulmonar. O cateterismo ocorreu com sucesso e o paciente, de apenas 16 anos, evolui sem intercorrências. De acordo com o coordenador médico do Centro de Imagem da instituição, Eduardo Costa, tudo ocorreu de maneira precisa e segura.

“Foi utilizado o acesso pela via femoral, na virilha, onde foram inseridos cateteres direcionados ao coração do paciente, de forma totalmente indolor. Utilizando estes cateteres, pôde-se obter a visualização do coração e das artérias, por meio de equipamentos de imagens que emitem raios-X. Toda equipe técnica da instituição estava capacitada e corroborou para o sucesso do procedimento”, pontuou.

Conforme Fabrício Pereira, hemodinamicista em cardiopatias congênitas, o procedimento trouxe uma mudança histórica na área da saúde pública, e principalmente na vida dos paraibanos.

“Fico muito feliz em participar desse momento histórico para a saúde da Paraíba. O cateterismo realizado gera no paciente uma recuperação mais rápida, e é recomendando devido aos baixos riscos de complicações. Atuo há mais de dez anos nessa área, atendendo nos estados vizinhos e percebia a constante presença de pacientes paraibanos em busca de tratamento. Agora, eles podem ser assistidos no Estado, numa unidade de saúde pública que possui capacidade para realizar feitos como esses e até maiores”, afirmou o médico cirurgião.

Família – Para Maria da Conceição Silva, mãe do adolescente, a assistência prestada pela equipe hospitalar ajudou a amenizar a angústia do momento da cirurgia. “É coisa de Deus esse hospital, que tem mudado a história de vida de muita gente, assim como mudou a nossa. Desde quando colocamos os nossos pés aqui, fomos bem atendidos por todos, e quando meu filho entrou para sala de cirurgia, eu recebi muito apoio e conforto. Eu só tenho a agradecer por todo bem que tem sido feito, e torço para que esse hospital cresça ainda mais”, narrou.

O diretor técnico da unidade de saúde, Antônio Pedrosa, pontuou a capacidade do Hospital Metropolitano para realização do procedimento. “A nossa instituição conta com todo aparato técnico necessário para realização deste tipo de procedimento, e no corpo clínico temos profissionais especializados e conceituados em corrigir cardiopatias congênitas por via percutânea, ou seja, através do cateterismo, sem a necessidade de abrir o tórax do paciente. Ficamos felizes com o sucesso do procedimento que revela, sobretudo, a colaboração do Hospital Metropolitano para a saúde pública da população paraibana” concluiu.

Cateterismo – O cateterismo é um procedimento realizado para diagnosticar ou tratar doenças cardíacas. Para a realização do exame, um fino cateter é inserido na circulação, geralmente em uma artéria da perna ou pulso, e que vai até o coração para examinar a circulação das coronárias ou avaliar arritmias.

Já a Cardiopatia Congênita ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca (nas primeiras 8 semanas de gestação quando se forma o coração do bebê), mesmo que descoberto anos mais tarde. As cardiopatias congênitas mais comuns incluem alteração em alguma válvula cardíaca, que influencia no fluxo sanguíneo dificultando ou impedindo sua passagem, alterações nas paredes do coração levando a comunicações cardíacas que não deveriam existir e mistura do sangue oxigenado com o não oxigenado ou ainda a formação de um único ventrículo.

Perfil – O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, localizado em Santa Rita, é a primeira unidade de saúde pública especializada em cardiologia e neurologia da Paraíba. Tem a capacidade de 226 leitos, sendo 60 de UTI, 11 salas de cirurgia e um moderno centro de diagnóstico por imagem. Os pacientes atendidos na instituição são regulados via Secretarias Municipais, em sintonia com o sistema de regulação do Estado.

Redação PB Debate com Secom

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