Presidentes municipais do PSB renunciam aos cargos; prefeitos ameaçam sair

Imagem: Reprodução

Por meio de nota conjunta, os presidentes dos diretórios municipais do PSB de Santa Rita, Cabedelo e Bayeux, renunciaram aos cargos em meio a uma crise interno no partido que coloca o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho e o atual, João Azevêdo, em colisão. Na nota, fica expressa a solidariedade do trio ao ex-presidente da sigla, Evaldo Rosas, tirado do comando partidário pela nacional. LEIA:

É com imensa tristeza que vimos registrar os episódios recentes da crise por que passa o PSB da Paraíba, processo doloroso pela forma ditatorial e anti-democrática com que foi conduzido e pela forma como Edvaldo Rosas foi destituído de uma presidência eleita democraticamente e que ainda tinha parte do mandato a cumprir, mas que foi abruptamente interrompido por motivações ainda obscuras ao nosso entendimento, contrariando, ainda, o desejo do governador João Azevêdo de mantê-lo no comando da sigla. Não há justificativa alguma para o que estamos testemunhando.

Edvaldo merece o nosso respeito pelo legado de lealdade, de trabalho e de vitórias que construiu ao logo dos anos, reconhecido em números, com o aumento significativo de prefeitos, vereadores, deputados, além de ter sido um dos protagonistas na construção do projeto que governou a Capital por duas gestões, governa o Estado em seu terceiro mandato, além de ter trabalhado ativamente nos processos que deram ao partido um deputado federal e um senador, transformando o PSB na maior e mais importante agremiação partidária do Estado.

Entendemos que a história do PSB na Paraíba foi construída baseada em conceitos democráticos e de respeito à diversidade de valores e opiniões, configurando-se na maior força política do Estado não à toa, mas porque contou com a participação de todos nós na sua condução e na sua construção.

O governador João Azevêdo é um dos pilares dessa história, companheiro e parceiro de primeira momento nas nossas lutas históricas fazendo com que nos solidarizemos, reconhecendo nele o líder que representa nossos anseios e ideais de liberdade e democracia, neste processo de ruptura.

Não é justo para conosco e para com a nossa história, portanto, estarmos diante de medidas unilaterais que sacrificam e comprometem o caráter democrático do nosso vitorioso grupo, levando-nos a uma crise desnecessária diante de todos os desafios que ainda temos a enfrentar por uma Paraíba próspera e desenvolvida, apesar de todos os avanços obtidos nas duas primeiras gestões do PSB à frente do nosso Estado.

Diante de tudo isso, colocamos as presidências dos diretórios do PSB nas cidades de Bayeux, Santa Rita e Cabedelo à disposição da comissão provisória, formada em reunião com a Executiva Nacional, realizada nesta segunda-feira (9), na Capital Federal, onde ficou estabelecida a dissolução da direção do partido na Paraíba, com a qual não concordamos por todos os motivos expostos anteriormente.

Assinam,

Jeferson Kita – Presidente do diretório municipal do PSB em Bayeux

João Batista Júnior – Presidente do diretório municipal do PSB em Santa Rita

Sales Dantas – Presidente do diretório municipal do PSB em Cabedelo

E em meio ao caos, prefeitos também começam a conversar sobre deixar a sigla. Marcelo Monteiro de Lucena e Fernando Naya de Rio Tinto disseram, na manhã desta terça-feira (10), que sairão do PSB.

A exemplo de seis prefeitos, que assinaram a carta enviada pelo governador João Azevêdo (PSB) à direção nacional, Monteiro e Naya são contra a intervenção na legenda.

O prefeito Marcelo adiantou que seguirá João Azevêdo para onde ele for e criticou Ricardo Coutinho. “A gente aqui acompanha o governador João Azevêdo. Sigo o governador para o partido que ele for. Como já disse o presidente da Assembleia [Adriano Galdino], Ricardo era para ter conversado antes e não ter ido por cima”.

Naya anunciou que também ficará ao lado de Azevêdo por “coerência”. “Em 2007, eu fazia parte do PPS. Na época o presidente era Hermano Nepomuceno e teve uma intervenção de cima para baixo, e junto com Hermano, saímos do partido e fomos para o PSB. Diante dessa situação, onde Edvaldo Rosas e o governador João Azevêdo não receberam nenhuma satisfação, nem os prefeitos, manterei minha linha de coerência e não seguirei no partido”, justificou.

O prefeito de Rio Tinto ressaltou que o lado escolhido representa o da democracia. “João Azevêdo tem feito o papel dele. Não vejo nada que não esteja sendo cumprido para tocar o projeto, que defendemos desde 2010. João tem sido competente e dialogado com as instituições. Fico do lado da coerência, da democracia e do governado João Azevêdo”, complementou Fernando Naya.

Os prefeitos Chico Mendes (São José dos Piranhas), Ricardo Pereira (Princesa Isabel), Mária Eunice (Mamanguape), Benício Araújo (Pilar), Murilo Nunes (Araçagi) e Fábio Tyrone (Sousa) acompanharam o governador João Azevêdo na carta enviada à direção nacional do PSB.

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