SAUDADE: Dois anos sem Zabé da Loca

Zabé da Loca – Foto: Asley Ravel

Um pássaro e seu canto suave é lembrado nesta segunda-feira (5). Há dois anos partia a pifeira Zabé da Loca. Uma mulher que transformava tudo a sua volta em música. Se estavam no mato e viam uma onça, Zabé imediatamente criava uma música com esse tema. A artista viveu 93 anos, desde menina, com um pífano ou pife de lado. Se fixou em Monteiro, no Cariri da Paraíba, ainda adolescente, vinda de Buíque (PE).

Zabé tocando pife em casa – 2007

Ultimamente, antes de morrer, Zabé morava com uma afilhada, Josivane Caiano. Sempre envolvida com os eventos culturais, ela continuou recebendo visitas dos fãs no sítio Tungão, no Assentamento Santa Catarina, onde morou numa loca por mais de 25 anos. Morou um tempo sozinha também, numa casinha abaixo da loca onde viveu. Atualmente, a casa é o Memorial Zabé da Loca, onde tem os pertences e a história da artista.

Conheça o complexo Zabé da Loca:

Desde 2015, com a criação da Rota Cariri Cultural, com empreendedores e Sebrae Paraíba, o sítio tem aumentado as visitas. Zabé viveu até os 79 anos sem ninguém conhecer seu dom além do povo caririzeiro. Com o lançamento do primeiro CD, começou a se apresentar pelos palcos do mundo.

Zabé foi “descoberta” pelo programa Biblioteca Rurais Arca das Letras, do Ministério de Desenvolvimento Agrário (Mada), de implantar e incentivar a leitura no campo. No mesmo ano gravou seu primeiro CD, Canto do Semi-Árido, com composições próprias como “Balão”, “Araçá, cadê mamãe” e “Fulô de mamoeiro”, além de uma versão de Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Veja um vídeo da artista quando vivia tocando:

Valdívia Costa/ PB Debate

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