Saxofone, por que choras?

Em 13 de janeiro tem um palco montado no céu. Nele, se vê um pandeirista, um tocador de tantan, um tocador de surdo, um tocador de cavaquinho, um violonista e um violinista de sete cordas. Vê-se também um banco vazio com um sax alto de lado esperando Hermes Filho chegar para que se comece o show.

Na plateia, Hermes pai, todo orgulhoso, ao lado de Basto Florêncio, grande admirador do sax de Hermezinho, como era carinhosamente chamado pelos amigos mais próximos.

Quem esteve próximo de Hermes Filho nos últimos tempos, sabe que ele partiu em paz, pois a religião espírita, a qual era tão dedicado, trouxe a paz que por um momento foi tirada pelas coisas mundanas, a paz tirada pelo câncer chamado política, que igualha por baixo também os bons e puros, que se não souber lidar com ela, afasta os amigos e suja até o mais limpo do coração.

A doença do corpo, apesar de fazer tão mal, já não era mais problema, pois a cura da alma foi capaz de aliviar qualquer sintoma, sejam eles do corpo, da cabeça e do coração. Hermes viu, muito antes de partir, que as coisas do mundo nada valiam e se dedicou inteiramente às questões do espírito, se tornando assim, um espírito dos mais evoluídos, segundo os ensinamentos de Jesus Cristo, através da doutrina espírita. Para os que não são espíritas, talvez não aceitem e não entendam, mas tenham a certeza que Hermes partiu em paz.

Convivi com Hermes por muito tempo, por ser muito amigo de seu filho Helton. A política, a maldita política, fez com que tomássemos rumos diferentes, fazendo com que eu cometesse até alguns exageros, não por ele, mas pela função que o mesmo desempenhou por algum tempo em Pocinhos, como Secretário de Cultura, mas ele sabia tanto que meu problema nunca foi com ele e sim com a forma de atuação do Secretário Hermes, que ao se afastar, nos aproximamos novamente, dessa vez através da arte. Hermes sempre atendeu nossos convites para estar nos eventos que promovíamos, a exemplo da Flipocinhos. Pelo whatsapp, sempre trocávamos mensagens culturais tão simples, mas tão significativas.

Decidi ficar apenas com lembrança, não do pai de Helton, nem do prefeito, nem do Secretário de Cultura, mas do Hermes artista e sensível, pois esse foi o papel que ele melhor desempenhou.

Vá em paz, Hermes!

Tiago Monteiro

Compartilhar