“Sei que estou velho, mas sigo moleque”, diz Caetano, aniversariante desta quarta (7)

Caetano – Foto: divulgação

Reverenciado hoje, ao completar 77 anos de idade, pelo vasto séquito de fãs, por formadores de opinião e pela mídia em geral, o cantor e compositor baiano Caetano Veloso postou em rede social o comentário seguinte: “Eu sigo moleque. Eu sei que sou velho, mas estou curioso para experimentar a velhice. A verdade é que, se não houver muitas desvantagens, nunca se é velho: a pessoa que você é ainda é o que você tem sido. Eu tenho muitas coisas dos meus 14 anos. E, claro, da minha infância. As coisas mais importantes acontecem quando somos muito novos”.

O jornalista e crítico de artes Sílvio Osias, do Jornal da Paraíba on line, em sua coluna de hoje, mencionou 77 músicas do repertório de Caetano Velloso que fazem sua cabeça. Foi sua forma de homenagear o artista, considerado uma espécie de profeta das palavras e um revolucionário em experimentos musicais, além de personagem relevante da Tropicália e estrela dos antigos Festivais de Canção promovidos por emissoras de TV.

A revista “Veja” definiu Caetano, certa feita, como o mais polêmico dos compositores brasileiros – ele viveu no exílio após o golpe militar de 64, sofreu intimidações e driblou pressões da Censura para compor uma letra enaltecendo a obra da rodovia Transamazônica, um dos marcos da propaganda do governo do ex-presidente Garrastazu Médici, quando a linha-dura das Forças Armadas prendeu, cassou, torturou e perseguiu artistas, intelectuais, políticos e ativistas.

Um dos três filhos homens – teve cinco irmãs – de seu José e dona Canô, Caetano Veloso nasceu em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, onde seu pai era agente dos Correios. Sua infância foi dividida entre as brincadeiras com os irmãos e as aulas de piano com dona Haildil, que reclamava do aluno porque ele só queria tirar músicas de ouvido. Aos 9 anos apaixonou-se por uma menina cujo nome era Dó, e tempos depois, confessou encabulado: “Não sei direito se fui correspondido. Mas veja só, ela tinha o nome da primeira nota da escala musical e, nessa, pelo menos, eu estou até hoje, acho que correspondido”. Caetano, que recentemente se apresentou no teatro “Pedra do Reino”, em João Pessoa, junto com seus filhos, mudou-se para Salvador, na adolescência, para cursar o clássico e preparar-se para o vestibular na Faculdade de Filosofia.

Na capital baiana, além de descobrir o encantamento dos romances de Guimarães Rosa dos poemas de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Mello Neto, encontrou a efervescência cultural que movimentava a sua geração. Escreveu críticas de cinema, entrou na faculdade e, logo, com sua irmã, Bethânia, começou a tornar-se conhecido como cantor e compositor. Marco Aurélio Borba, jornalista, em texto para a extinta revista “Plaboy” que abriu uma entrevista de Caetano em 1979, afirmou sobre sua composição elaborada.

Quando seu nome ultrapassou as fronteiras da Bahia pela voz de Bethânia, o público brasileiro passou a descobrir um compositor elaborado e sensível, que já ganhara um prêmio (o de melhor letra) num festival com a canção “Um Dia”. Iria ganhar outros com “Boa Palavra” e “Alegria, Alegria” e se tornaria o grande expoente do Tropicalismo, movimento que viria a transformar a música brasileira no final da década de 60.

A partir daí, Caetano passou a ser sinônimo de polêmica e sua música e comportamento passaram a influenciar toda uma geração. Em 1969, Caetano e seu amigo Gilberto Gil foram presos e exilados na Europa, onde permaneceram cerca de dois anos. O regime militar chegou a liberar Caetano para vir de Londres ao Brasil a fim de visitar seus pais. Mas ele não teve permissão para ir a lugar algum a não ser Salvador. “Permitiram que eu ficasse um mês”, relatou, acrescentando que nesse período pôde se apresentar na TV.

Fonte: Os Guedes

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