Paraibano afirma que saída de Rodrigo Maia do Democratas ‘ajudará a pacificar’ o partido

O líder do Democratas na Câmara, deputado paraibano Efraim Filho, divulgou nesta segunda-feira (8) uma nota na qual diz que a eventual saída de Rodrigo Maia “ajudará a pacificar” o partido. Ele afirma também que “o Democratas é um partido plural e não tem dono”.

O texto assinado pelo líder é um movimento político que deixa Maia ainda mais isolado internamente. Com o Democratas sendo acusado de pular no colo de Jair Bolsonaro (sem partido), Efraim escreve que “eleições serão discutidas em 2022” e que ACM Neto “preserva a independência”.

“Passada a eleição da Câmara, a bancada Democrata já se reorganizou, elegeu o líder e o membro para compor a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Foco no trabalho em 2021. Serão prioridades saúde e vacinação, crescimento econômico e geração de empregos. Eleições serão discutidas em 2022. O Democratas é o partido que mais cresceu nas eleições municipais de 2020, venceu as eleições no Senado Federal, comandará uma das Casas do Congresso e permanecerá protagonista da agenda do Brasil para os próximos dois anos. Rodrigo Maia e o Democratas entraram juntos para a história do país, [o deputado] tem nosso respeito por esses momentos marcantes dessa parceria. Porém, com o anúncio de sua saída, deixa claro que chegou ao fim de um ciclo no partido, e essa decisão ajudará a pacificar o Democratas”, diz um trecho da nota.

O líder da bancada sai em defesa do presidente nacional da sigla, ACM Neto:

“Somos testemunhas de que o presidente ACM Neto buscou convencer deputados a se alinharem com Rodrigo, fez apelos à bancada, mas, diante da decisão adversa da maioria, buscou a neutralidade em um gesto de respeito a Rodrigo Maia. Na entrevista [ao Valor Econômico], Rodrigo tenta, injustamente, terceirizar a responsabilidade pela ruína do bloco, não faz sua autocrítica, nem assume a sua mea culpa. É injusto colocar em nossa conta a derrota do seu candidato à sucessão. Insistimos que o Democratas não tem dono e ainda preserva um de seus maiores patrimônios: a capacidade de decidir pela vontade da maioria, e não por imposição de cúpula partidária. Isso, sim, seria ato antidemocrático. O presidente ACM Neto foi correto ao respeitar a decisão da bancada, seguir o caminho da neutralidade quanto ao governo. Preserva a independência do partido e tem a nossa solidariedade e confiança.”

Efraim também aponta Rodrigo Maia como o culpado pelo fracasso da candidatura de Baleia Rossi (MDB), escolhido pelo então presidente da Câmara para ser seu sucessor.

“O Democratas é um partido plural e não tem dono. A bancada da Câmara não tem dono. O líder é eleito pela vontade expressa da maioria. Essa mesma maioria, que torna a decisão legítima, faltou a Rodrigo Maia para compor o bloco de centro-esquerda na disputa pela presidência. Na verdade, ao tentar levar o partido para essa posição, sem consultar a bancada sobre o que desejava, Rodrigo se viu isolado e perdeu o comando do processo, e muitas vezes o alertamos sobre essa dificuldade. Era a sua sucessão, cabia a ele construir os consensos e conduzir o processo. Na democracia, maioria não se impõe, maioria se conquista.”

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