Em nota, entidades acadêmicas repudiam nomeação do terceiro colocado para reitor da UFCG

Entidades representativas dos estudantes, técnico-administrativos e docentes da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) divulgaram uma nota de repúdio à decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de nomear o terceiro mais votado em processo de consulta interna para reitor da instituição, o professor Antônio Fernandes Filho.

Mesmo criticando o processo eleitoral da universidade, as entidades entendem que resultado do pleito deve ser respeitado.

NOTA DE REPÚDIO A INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA UFCG E A NOMEAÇÃO DO REITOR ILEGITIMO

A edição de hoje do Diário Oficial da União trouxe a nomeação do professor Antônio Fernandes como reitor da Universidade Federal de Campina Grande. A iniciativa do presidente da república Jair Bolsonaro e do ministro da educação, Milton Ribeiro, confirma mais um golpe contra a democracia e a autonomia universitária e segue uma sequência de mais 20 intervenções autoritárias do Governo Federal em universidades e institutos federais.

As entidades representativas dos estudantes, técnico-administrativos e docentes repudiam a iniciativa autoritária da Presidência da República e do MEC, desrespeitando e ignorando a vontade da maioria da comunidade universitária, que na consulta eleitoral e na lista tríplice do Colegiado pleno da UFCG elegeram os professores Vicemário Simões e Camilo Farias com os próximos reitor e vice-reitor da instituição.

Mesmo com críticas públicas aos critérios antidemocráticos adotados na consulta eleitoral, que incluiu pesos diferenciados para os segmentos e a contagem e validação dos votos com base no universo de votantes e não no universo de votos válidos, as entidades entendem que o resultado do pleito deve ser respeitado, seguindo o direito da autonomia universitária, e servir para nortear a nomeação do reitor e vice-reitor da UFCG.

A existência da autonomia universitária é tão importante que foi colocada na Constituição Federal, em seu artigo nº 207, como um direito fundamental para o funcionamento das universidades e instituições federais de ensino. É ela quem garante a livre e plural produção da ciência e do conhecimento a serviço da sociedade, independente de governos e de gestores e deve também servir de princípio para a escolha dos dirigentes universitários.

Diante disso, as entidades representativas dos estudantes, técnico-administrativos e professores da UFCG reafirmam seu compromisso e disposição de luta em defesa da democracia e da autonomia universitária.

Campina Grande, 23 de fevereiro de 2021

ADUFCG, DCE-UFCG, ADUFCG-Patos, SINTESUF e ADUC

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