Réu na Calvário, Romero Rodrigues nega recebimento de propina na campanha de 2012 e diz que vai ‘comprovar a improcedência das acusações’

O juiz Alexandre José Gonçalves Trineto, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Campina Grande, aceitou nesta terça-feira (6) denúncia do Ministério Público da Paraíba (MPPB) contra o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD) no âmbito da Operação Calvário. Ele também recebeu a denúncia contra Jovino Machado da Nóbrega Neto, Saulo Ferreira Fernandes e Daniel Gomes da Silva.

“Há sim prova razoável da prática dos crimes de corrupção ativa e passiva dos denunciados já mencionados, pois os elementos indiciários apontam para a materialidade e a autoria delitivas dos crimes descritos na denúncia e imputados a cada um dos denunciados, restando nítida a presença de elementos indiciários que afiram crimes voltados a lesar o patrimônio público objetivando o enriquecimento ilícito de pessoas privadas com atuação na gestão pública municipal”, diz o juiz em despacho.

Na denúncia, o MPPB aponta que foi criado um cenário para a inserção da Cruz Vermelha do Brasil para gerir as estruturas de saúde de Campina Grande, a começar pelo Instituto de Saúde Elpídio de Almeida e Hospital Municipal Pedro I. Desta forma, pelo que se apurou durante as investigações, o modelo corrupto de gestão pública seria internalizado no município após prévio pagamento de propina no valor de R$ 150 mil.

Ainda diz que o contrato não foi implementado, mas que a propina acertada foi efetiva e integralmente repassada ao então candidato a prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, parte em mãos e outra parte através de Jovino Machado da Nóbrega Neto, advogado sócio do Escritório de Advocacia Cunha Lima e Targino, à época, também, ocupante do cargo de Coordenador Jurídico do Governo do Estado da Paraíba, comandado por Ricardo Vieira Coutinho, em razão de fatos alheios à vontade dos denunciados, visto que os episódios que se sucederam depois da aprovação jurídico-normativa, ano de 2013 pela Câmara de Vereadores de Campina Grande, ocasionaram rupturas e afastamentos entre integrantes dos grupos políticos comandados pela família Cunha Lima em Campina Grande e o pelo governador do Estado, Ricardo Coutinho, em razão da disputa pelo Governo de Estado nas eleições de 2014.

Romero Rodrigues, no início desta tarde, divulgou nota negando envolvido no esquema de corrupção que supostamente teria lhe beneficiado em 2012, quando foi candidato a prefeita de Campina Grande pelo PSDB. Confira:

Tomei conhecimento, até o momento só pela imprensa, de que a Justiça teria acolhido denúncia oferecida pelo Ministério Público da Paraíba envolvendo meu nome na Operação Calvário. Recebo a informação com tristeza, mas serenidade, lamentando nunca sequer ter sido ouvido nesse processo. Mantenho o compromisso com a minha consciência e com o povo da Paraíba de comprovar a improcedência das acusações, porque sequer a suposta contrapartida de uma doação de campanha da qual nunca tive conhecimento jamais se consolidou. Por fim, encaro como uma chance para apresentar minha defesa com a tranquilidade dos inocentes e sacramentar, sem margem para quaisquer questionamentos, minha integridade, ética e retidão construídas ao longo de 30 anos de vida pública.

Romero Rodrigues Veiga

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