Mais de 800 pessoas da Paraíba foram resgatadas de condições análogas à escravidão

 Entre 2003 e 2019, 874 pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão em vários Estados do País, segundo o Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Elas declararam que eram naturais da Paraíba ou que residiam no Estado. Das 874 vítimas, 20 foram resgatadas em 2019, nos municípios de Salgadinho e Junco do Seridó, conhecidos pela exploração na extração do caulim, atividade onde trabalhadores se arriscam em buracos abertos na terra, sem ventilação, sem proteção e com risco iminente de desabamento.

Pobres, jovens, negros e com pouco estudo. Esta é a face cruel da maioria das vítimas recrutadas e traficadas para outros Estados e países para serem exploradas. De acordo com o Observatório, na Paraíba, 88% dos resgatados eram analfabetos ou não tinham sequer o ensino fundamental completo. Apesar de não haver ainda dados estatísticos, a pandemia da Covid-19 só tende a piorar esse cenário, com o aumento do desemprego, da desigualdade e da pobreza. Isso deve agravar as condições dos mais vulneráveis e aumentar o ciclo de aliciamento e exploração.

Julho é o mês de enfrentamento ao tráfico de pessoas e o Ministério Público do Trabalho (MPT), juntamente com vários outros órgãos, vem desenvolvendo ações desde o início do mês. Nesta sexta-feira, 30 de julho, Dia Mundial e Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, o MPT reafirma o seu compromisso no combate a esta grave violação de direitos humanos. Na Paraíba, a sede do MPT-PB, em João Pessoa, e o prédio da Procuradoria do Trabalho no Município de Campina Grande (PTM-CG) receberam iluminação especial na cor azul, símbolo da campanha Coração Azul, contra o tráfico de pessoas.

“É importante a implementação de políticas públicas que possam promover uma verdadeira inclusão social dessas pessoas e quebrar esse ciclo de vulnerabilidade social que leva à exploração”, ressaltou o procurador do Trabalho Marcos Antonio Ferreira Almeida, integrante da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do MPT (Conaete).

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