Missa de um ano da morte de jornalista será realizada quinta-feira (9); mãe sofre com vazio deixado pela filha

Na próxima quinta-feira (9) de setembro será realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no bairro da Prata, às 18h, a missa de um ano de falecimento da jornalista campinense Karina Araújo, infectada por coronavírus. Produtora da TV Borborema e assessora de imprensa do 4º Batalhão de Polícia Militar de Guarabira e da 3ª Regional de Saúde em Campina Grande, Karina desfalcou o jornalismo de Campina Grande e deixou um vazio ainda maior para sua mãe Deja Araújo, de quem era filha única.

“A última vez que a vi com vida foi no dia 27 de agosto. Pela manhã ela já com sintomas foi comprar leite puro da feirinha agroecológica pra fazer coalhada e trazer pra mim, à tardinha ela veio trazer e eu pedi pra ela não descer do carro, peguei no banco de trás do carro e a gente mal se falou. Ficou essa lembrança porque depois ela foi para o hospital e ficamos nos falando apenas por telefone”, disse a mãe.

Embora as duas não morassem juntas, todos os dias Karina ia à casa de sua mãe, levar o almoço e fazer a refeição com ela. A jornalista também a ajudava na compra de medicamentos para o tratamento de osteoporose e doença da tireoide e no pagamento do plano de saúde. “Karina sempre foi independente e batalhava com muita garra trabalhando para conquistar as coisas dela. Mesmo quando decidiu morar sozinha, não me deixou e todo dia a gente conversava, vinha trazer o almoço, me perguntava que sobremesa eu queria e trazia, me levava para as consultas. Pelo fato de eu só ter um salário mínimo, ela me ajudava muito porque preciso comprar alguns remédios para tratamentos de saúde”, disse Deja.

Como se não bastasse a dor da perda, com a morte da filha por Covid, Deja se viu diante de várias dificuldades de ordem prática. O apartamento em que Karina morava não pode ser entregue logo porque havia muitos móveis e objetos que ela precisou vender e para quitar as parcelas deste período ao locatário do imóvel, ela usou praticamente o valor integral da rescisão da empresa.

Deja explicou que o valor apurado com a venda dos objetos também já está acabando e que pensão por morte da filha que era concursada da Prefeitura de Campina Grande, foi negada pelo Instituto de Previdência do Servidor Municipal (IPSEM).

Mas o desamparo financeiro de longe é o maior para Deja, que como mãe solo, que criou a filha sozinha e orgulhava-se de sua história de trabalho e dignidade, enfrentou muitas dificuldades. “Só eu e ela sabíamos o que tínhamos passado e superado, o quanto lutamos até ela se formar na profissão que tanto amava, do que havia conquistado por mérito e como era dedicada”.

Constantemente ela diz que não consegue acreditar na partida da filha e ainda se sente anestesiada e sempre que ouve uma música parecida com ela, chora. “Tem horas que parece mentira, difícil de acreditar, choro muito quando ouço músicas que se parecem com ela, ela cuidava muito de mim, se preocupava tanto que quando ainda estava com o celular internada no hospital me perguntava o que eu estava precisando”, disse.

A jornalista Karina Araújo morreu no Hospital de Clínicas de Campina Grande, para onde pediu transferência, após ter o celular furtado no Hospital Pedro I, onde iniciou o tratamento. “Ela estava muito satisfeita com o atendimento no Pedro I, chegou a fazer vários elogios aos profissionais em conversa comigo pelo WhatApp, mas após furtarem o celular, ficou nervosa e pediu para sair de lá. Conseguiu emprestado um aparelho de outra pessoa e mandou mensagens via Facebook para vários conhecidos já com a voz bastante ofegante”, relata Deja, dizendo que gostaria que a pessoa que furtou o celular fosse identificada e punida.

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