Bolsonarista que matou petista já havia sido preso por xingar policiais no Rio de Janeiro

O policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho que matou a tiros o guarda municipal filiado ao PT Marcelo Aloizio Arruda na noite de sábado (9), em Foz do Iguaçu, precisou ser algemado e detido, em 2018, após ofender a honra de ex-colegas da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Um processo, aberto por crime de desacato, foi arquivado na Justiça do Paraná.

Documento a que o UOL teve acesso mostra que, em junho de 2018, um sargento e um capitão da PM registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil do Rio de Janeiro após terem sido insultados por Guaranho durante uma abordagem. “Jorge Guaranho se aproximou dos policiais militares, identificou-se como ex-PM e atual policial federal. Em seguida, passou a ofender o capitão da PM, xingando-o de ‘oficial de merda, capitão de merda’, e chamou o sargento de ‘praça baba-ovo e praça de merda’, e mandou que os mesmos fossem embora do local”, diz a peça.

Guaranho trabalhou na PMRJ por cerca de dois anos antes de se tornar policial penal federal. Ao UOL, a corporação afirmou que o ex-militar não foi alvo de processos internos e que não há registros de conduta violenta por parte dele dentro da instituição. “O referido homem fez parte da PMRJ por menos de dois anos e, aparentemente, saiu da corporação por ter passado em outro concurso público”, afirmou o órgão em nota.

Mãe de Guaranho, a comerciante Dalvalice Rosa diz acreditar que a intolerância política foi o que motivou o filho a matar a tiros o guarda municipal Marcelo Aloizio Arruda. “Estamos sem chão. O que aconteceu tem a ver com extremismo e intolerância política. Eles não se conheciam, e nada mais explica essa tragédia”, afirmou Dalvalice ao UOL.

O crime ocorreu dentro da Aresf (Associação Recreativa Esportiva Segurança Física), clube em que Arruda comemorava o aniversário de 50 anos numa festa temática com símbolos do PT e imagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao UOL, testemunhas dizem que Guaranho se deslocou ao local após um jantar com a esposa e um bebê de cerca de 3 meses. A mãe do policial penal afirma que o filho tocou músicas de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) enquanto fazia uma ronda de carro pelo clube, do qual ele seria sócio. O UOL tenta contato com a direção da Aresf. Segundo registros da Polícia Civil, Guaranho fez ainda ameaças de morte a pessoas que participavam da festa de Arruda.

Fonte: Weudson Ribeiro para Uol

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