Confira o artigo da semana: Como se forma uma estrela…

Li outro dia que as estrelas são formadas por nuvens de gás interestelar, poeira, hidrogênio. Normalmente este processo é complexo e muito violento. Sua evolução depende da quantidade de matéria presente em suas origens. Um processo poético, cabível a analogias. 
 
Assim com as estrelas, também com as grandes cantoras. Àquelas que resultam da poeira das estradas, do frio, do calor, de algumas dores da vida. São produtos da matéria com a qual moldaram seu dia a dia. De todo gás e energia dedicados à construção de seus sonhos. Foi assim que surgiu Marinês, a “Rainha do Xaxado” cuja memória precisa ser preservada para as próximas gerações. 
 
 
“Minha mãe foi forjada nas dificuldades, seu talento é resultado de sua força, das estradas que percorreu, das experiências e valores adquiridos por seus pais e transmitidos para nós” recordou o maestro Marcos Farias, filho de Marinês e afilhado de Luiz Gonzaga. 
 
Cada comentário do músico ia reforçando a analogia descrita anteriormente, bem como deixando claro que não haveria alguém, à altura de Marinês, para dar continuidade ao seu legado musical. 
 
Porém, em um bom “internetês” (#sqn, só que não!). De tanto pedir a benção da mãe para descobrir uma cantora que pudesse levar sua obra adiante, Marquinhos Farias esbarrou em uma pérola, que tal qual as estrelas, são também forjadas nas batalhas que travam. Resultam de suas cicatrizes, de suas lutas, de algumas dores e da força que desempenham rumo à superação.
 
 
Isto ficou claro quando ela subiu ao palco. E não era só o olho puxado, não era só o mesmo tamanho, nem só a mesma alegria. Era algo mais. A mesma expressividade do olhar, o ponteio do triângulo conduzindo os pés, o xaxado na ponta da alma. Estava ali em carne viva a nova Marinês, repaginada. 
 
Anunciada por Marquinhos Farias como lançamento da versão 2016 e ostentando – como coroa – o chapéu de couro original da “Rainha do Xaxado”, a cantora maranhense Sabrina Vaz, surpreendeu a todos que assistiram ao show ocorrido na última sexta-feira, 10 de junho, no Parque do Povo durante o Maior São João do Mundo.
 
Mostrou naquele palco que canta, dança, toca e “ainda faz “triato” feito a “Karolina com K” de Gonzaga. Provou que está à altura da maior cantora brasileira do Nordeste.
 
“Minha mãe usava seu chapéu de couro por convicção, por pertencimento e com a grande responsabilidade de representar todo um contexto histórico de sua cultura, sua gente”, argumentou o músico para explicar porque Sabrina Vaz mereceu receber e conduzir a “coroa” deixada por sua mãe. 
 
Após a conquista do trono, Sabrina Vaz certamente terá uma carreira artística iluminada. Para isso, ela tem bênçãos de sobra. Filha de São José do Ribamar, seu talento foi aspergido pelas águas das Baías de São Marcos, São José, São Luís. Muitos santos juntos, todos de comum acordo com São Vicente Ferrer. 
 
Logo, com raízes firmes como as do babaçu Sabrina Vaz “chegou chegando”. Assumiu seu posto – legitimada pelo seu carisma e energia – e de quebra além da “coroa” conquistou o coração do maestro, ao lado de quem há de conquistar muitas outras plateias! 
 
Viva Sabrina! Viva Marinês! Viva São João!
 
Artigo: Geneceuda Monteiro
Foto: Nixon Motta
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