CPI da Petrobras terá depoimentos de oito operadores do mercado de câmbio

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras marcou oito depoimentos para a próxima terça (18) e quarta-feira (20). Os convocados são ligados ao mercado de câmbio, setor que passou a ser alvo das investigações da comissão depois do depoimento da doleira Nelma Kodama.

Os deputados querem entender o funcionamento do esquema de envio de dinheiro para o exterior utilizado pelos doleiros do grupo de Alberto Youssef, um dos passos para o pagamento de propinas na Petrobras, de acordo com as investigações da Operação Lava Jato.

Condenada

O mercado paralelo de câmbio passou a ser uma das prioridades da CPI depois do depoimento da doleira Nelma Kodama, em Curitiba (PR), onde está presa. Apontada como integrante do esquema montado por Youssef, ela foi condenada a 18 anos de prisão por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Em depoimento à CPI, ela disse que existem brechas na legislação e na fiscalização que permitem a atuação de doleiros.

Kodama comandava um grupo responsável por abrir empresas de fachada e enviar dinheiro para o exterior por meio de operações fictícias de importação. Na última quinta-feira (13), um operador ligado a Kodama, Lucas Pacce Jr., confirmou à CPI da Petrobras a existência de brechas legais e de falhas na fiscalização da atividade dos doleiros.

Com base nas informações de Pacce, a CPI vai pedir ao Banco Central e à Receita Federal o cruzamento de dados das operadoras de câmbio que enviaram dinheiro para o exterior para empresas importadoras que não tinham registro para esta atividade, chamado Radar.

Siemens e Mensalão

Nem todos os operadores convocados pela CPI tem relação direta com a Operação Lava Jato e pagamento de propina na Petrobras. Há depoentes ligados à investigação de propina da empresa Siemens, no metrô de São Paulo, e ao Mensalão.

Segundo a doleira Nelma Kodama, o operador Raul Srour está ligado a Alberto Youssef. A doleira citou também a Correrrota TOV, cujo sócio-controlador é Fernando Heller. Também deve depor Leonardo Meirelles, apontado como laranja de Youssef no laboratório Labogen.

Foram convocados também dois gerentes do Banco do Brasil suspeitos de envolvimento com o grupo: Rinaldo Gonçalves de Carvalho e José Aparecido Augusto Eiras.

Já os operadores Richard Otterloo e Paulo Pires de Almeida tiveram os nomes mencionados na investigação de propina da empresa Siemens para agentes públicos de São Paulo. E Marco Matalon é ligado ao corretor Lúcio Funaro, um dos delatores do Mensalão. 

São os seguintes os depoimentos marcados:

Terça-feira (18)

Leonardo Meirelles – considerado sócio do doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen. Convocado a pedido dos deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Efraim Filho (DEM-PB), Ivan Valente (Psol-SP), Edmilson Rodrigues (Psol-PA) e Altineu Côrtes (PR-RJ).

Rinaldo Gonçalves de Carvaho – gerente do Banco do Brasil. Conforme a denúncia do Ministério Público, ele gerenciava as contas no banco e encobria as atividades do grupo da doleira Nelma Kodama, acusada de comandar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Convocado a pedido do deputado Altineu Côrtes.

Richard Andrew Van Otterloo – Sócio do doleiro Raul Srour, ligado a Alberto Youssef em uma conta descoberta em Luxemburgo e que teria sido usada, segundo investigações que começaram na Alemanha, para pagar propinas da empresa Siemens para autoridades do governo paulista suspeitos de irregularidades na construção do metrô. Convocado a pedido do deputado Altineu Côrtes.

José Aparecido Augusto Eiras – gerente do Banco do Brasil suspeito de ligação com o doleiro Raul Srour. O nome dele foi envolvido em irregularidades pela doleira Nelma Kodama. Eiras foi convocado para depor no último dia 11, mas pediu o adiamento sob a alegação de que foi submetido a uma cirurgia. Convocado a pedido do deputado Altineu Cortes.

Quinta-feira (20)

Paulo Pires de Almeida – Um dos titulares de uma conta secreta aberta em Luxemburgo e apontada pela polícia alemã como fonte de pagamento para agentes públicos de São Paulo que teriam recebido propina da empresa Siemens em troca do contrato de construção do metrô. Pela conta passaram US$ 7 milhões entre 2001 e 2006. Convocado a pedido do deputado Altineu Cortes.

Raul Henrique Srour – doleiro apontado pela Operação Lava Jato como integrante do grupo de Alberto Youssef e acusado de irregularidades pela também doleira Nelma Kodama. Também é suspeito de envolvimento em evasão de divisas e lavagem de dinheiro relativo a pagamento de propina no caso da investigação de irregularidades em contratos da Siemens com o metrô paulista. Convocado a pedido do deputado Altineu Cortes.

Marco Ernst Matalon – doleiro investigado pela Operação Satiagraha, que tinha como alvo o banqueiro Daniel Dantas. Ligado ao investidor Naji Nahas e ao corretor Lúcio Bolonha Funaro – dono da Guaranhuns Empreendimentos, que, segundo as investigações do caso Mensalão, repassava recursos ao ex-deputado Valdemar Costa Neto. Convocado a pedido do deputado Altineu Cortes.

Fernando Heller – diretor da corretora TOV, empresa acusada de irregularidades pela doleira Nelma Kodama, que é ligada ao grupo de Alberto Youssef. Heller foi convocado para depor no último dia 11, mas a advogada dele, Carla Domenico, pediu o adiamento sob a alegação de que não poderia comparecer para assessorá-lo. Convocado a pedido do deputado Altineu Cortes.

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