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Brasil

Diesel dispara, tensão explode e caminhoneiros ameaçam parar o Brasil em nova greve nacional nesta quinta-feira (19)

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Os caminhoneiros de diversas regiões do país avaliam iniciar uma paralisação nacional nesta quinta-feira (19), após assembleia convocada por entidades representativas da categoria. Mesmo antes da decisão oficial, sindicatos estaduais já sinalizaram adesão, o que aumenta a tensão em setores estratégicos da economia.

O movimento é impulsionado principalmente pela alta no preço do diesel, que, segundo lideranças, acumula aumentos significativos nas últimas semanas. O combustível é o principal custo da atividade e tem impacto direto na renda dos profissionais, especialmente autônomos. A preocupação é agravada por fatores internacionais, como instabilidades geopolíticas — incluindo tensões envolvendo Estados Unidos e Irã — que influenciam o preço do petróleo no mercado global.

Outro ponto central das reivindicações é o descumprimento do piso mínimo do frete, política criada após a greve histórica de Greve dos caminhoneiros de 2018, durante o governo do ex-presidente Michel Temer. A medida estabelece valores mínimos para o transporte de cargas, visando garantir a cobertura dos custos operacionais, mas, segundo a categoria, ainda é frequentemente ignorada por contratantes.

O governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenta conter a mobilização com uma série de medidas emergenciais. Entre elas, estão a redução de tributos como PIS e Cofins sobre o diesel e o reforço na fiscalização do cumprimento do piso do frete, inclusive com o uso de ferramentas digitais para monitoramento das operações.

Especialistas alertam que uma paralisação nacional pode gerar impactos rápidos no abastecimento de alimentos, combustíveis e insumos industriais, já que o transporte rodoviário responde por cerca de 60% da logística de cargas no Brasil. Em episódios anteriores, como em 2018, a interrupção das atividades provocou desabastecimento em supermercados, filas em postos de combustíveis e prejuízos bilionários à economia.

Além das pautas econômicas, há também um componente político no movimento. Parte das lideranças da categoria demonstra insatisfação com políticas de preços da Petrobras, especialmente após mudanças recentes na estratégia da estatal, que passou a adotar maior flexibilidade nos reajustes, sem seguir rigidamente a paridade internacional.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforçou que o cumprimento da tabela de frete é obrigatório e que denúncias podem ser feitas por caminhoneiros. Já entidades do setor produtivo acompanham o cenário com preocupação, temendo novos prejuízos em cadeias de distribuição.

Até o momento, não há confirmação oficial de bloqueios em rodovias, mas a expectativa é de que as próximas horas sejam decisivas para definir a dimensão do movimento. Caso a paralisação se concretize, o país poderá enfrentar mais um teste de sua dependência do transporte rodoviário e da capacidade de articulação entre governo e categorias profissionais.

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