Dono de site que amplificou notícias falsas sobre Marielle revela identidade e diz que atua para ‘guerra política’

Imagem: Marielle / divulgação

O autor do perfil Luciano Ayan, que escreveu o texto mais compartilhado com informações falsas sobre a vereadora Marielle Franco, revelou sua verdadeira identidade. Em texto publicado no site Ceticismo Político neste sábado (24), Carlos Augusto de Moraes Afonso assumiu a autoria dos textos que até então eram assinados por Ayan. Também neste sábado, após reportagens publicadas pelo GLOBO, o Facebook tirou do ar dois perfis relacionados a Ayan e a página do Ceticismo Político.

No texto, Carlos Afonso admite pela primeira vez que Luciano Ayan é um “pseudônimo”. Diz que o Ceticismo Político foi criado por ele, e hoje tem outros colaboradores, cujos nomes não são revelados. Afonso afirma que editou o post “Desembargadora quebra narrativa do PSOL e diz que Marielle se envolvia com bandidos e é ‘cadáver comum’”, que recebeu mais de 360 mil compartilhamentos no Facebook e se tornou o link mais influente na campanha difamatória contra a vereadora assassinada.

Na postagem deste sábado, Carlos Afonso confirma que atua para influenciar o debate político na internet. Ele diz que desde 2011 desenvolveu “um método para a guerra política”. A atuação do perfil Luciano Ayan nas redes sociais endossou movimentos de apoio ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Um dos grupos que organizaram atos contra a petista foi o Movimento Brasil Livre. Nas redes sociais, o MBL compartilha conteúdos do Ceticismo Político e já publicou em seu blog textos assinados pelo pseudônimo Luciano Ayan. Um dos coordenadores do movimento, Renato Battista, disse ao GLOBO que não conhecia a identidade de Ayan, mas que isso não o impedia de compartilhar seus conteúdos. O MBL compartilhou no Facebook, de forma idêntica, o link do Ceticismo Político sobre Marielle. Depois, o post foi apagado.

O dono do Ceticismo Político afirmou neste sábado que o site movimenta dinheiro, mas não revela valores e o nome dos financiadores. Segundo Afonso, o site “passou a ser monetizado em meados de 2017”.

“O perfil Luciano Henrique Ayan é meu pseudônimo. Me chamo Carlos Afonso e atuo na área de tecnologia. Mas nas horas vagas decidi, há mais de 13 anos, estudar métodos relacionados à dinâmica política. Inicialmente, realizava refutações básicas de discursos, mas a partir de 2011 comecei a desenvolver um método para a guerra política. Sinto dizer aos meus oponentes: o método funciona que é uma beleza”, escreveu Carlos Afonso.

O GLOBO procurou por e-mail o dono do perfil Luciano Ayan na manhã da última quinta-feira, mas não obteve resposta. Neste sábado, Carlos Afonso confirmou que usa a mesma conta de e-mail para a qual foi remetida a mensagem do GLOBO com perguntas. Embora não tenha respondido as perguntas feitas para o e-mail de Ayan, Carlos Afonso respondeu as questões do GLOBO enviadas para o Movimento Brasil Livre.

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