Idoso mantido como escravo é resgatado em fazenda; veja

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Foto: Divulgação/MPT / Estadão

Um idoso de 61 anos era submetido a condições análogas à escravidão em uma fazenda de São José dos Campos, no interior de São Paulo. O homem trabalhava no manejo de gado leiteiro de segunda a segunda, cumprindo jornada das 5 da manhã às 6 da tarde, sem folgas e férias desde 2005. O trabalhador não era registrado e trabalhava em troca da moradia. Ele residia em um casebre da fazenda, com a mãe, de 87 anos, usando água de mina, fogão a lenha, em condições insalubres.

O trabalhador e a mãe foram resgatados na segunda-feira, 29, em operação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal. Os agentes da PF fizeram a prisão em flagrante do empregador pelo crime de submeter trabalhador à condição análoga à de escravo. A denúncia foi feita pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos. Sem renda, os idosos se alimentavam mediante a ajuda de vizinhos e voluntários, que doavam cestas básicas.

Uma vistoria mostrou que o casebre estava em situação degradante, sem geladeira e fogão a gás. Devido à falta de forro e telhas quebradas, chovia dentro da casa, forçando os idosos a dormir embaixo de lonas em tempo de chuva. Devido à chaminé entupida, a casa estava tomada pela fuligem e ambos respiravam fumaça quando era utilizado o fogão à lenha. “Não há condições para que qualquer pessoa permaneça naquele imóvel da forma em que se encontrava, quanto mais pessoas idosas. As condições foram caracterizadas como degradantes”, disse a procuradora do MPT de São José, Ana Farias Hirano. O proprietário da fazenda afirmou que pagava salário por produção e dava cestas básicas para o empregado e a mãe, no entanto não tinha recibos ou qualquer evidência que provasse sua alegação. Ele foi levado para a delegacia da PF e, por não ser réu primário, ficou preso. Conforme a PF, um advogado se apresentou para a defesa do suspeito, pedindo a fixação de fiança para sua libertação. O pedido foi encaminhado à Justiça Federal de São José dos Campos. A reportagem não conseguiu contato com o defensor.

Após a autuação, o MPT firmou termo de ajuste de conduta com o empregador, pelo qual ele se comprometeu a efetuar o registro em carteira do contrato de trabalho no prazo de cinco dias, reformar a casa em que o trabalhador reside em 30 dias e garantir o pagamento de uma ajuda mensal de R$ 300, além de uma cesta básica no valor mínimo de R$ 100. O valor dessa ajuda será compensado quando do pagamento das verbas indenizatórias devidas ao trabalhador rural.

Redação Paraíba Debate com Informações Terra

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