Maior parte dos deputados federais são “donos” de partidos na Paraíba

Os dirigentes partidários têm prerrogativas que lhes dão muita influência sobre as agremiações políticas, como o poder de negociar apoios e cargos, de administrar os recursos financeiros das campanhas eleitorais e até chances de se articular com mais autonomia.

Foi pensando nisso que muitas lideranças paraibanas se movimentaram, nos últimos tempos, para manter a influência já exercida ou ganhar o comando de uma legenda no Estado, especialmente os deputados federais, afim de garantir sobrevivência política e mais poder de articulação.

Um exemplo aconteceu dentro do MDB. Desde que o senador José Maranhão decidiu lançar sua candidatura ao Governo do Estado, os deputados André Amaral, Hugo Motta e Veneziano Vital do Rego, que ficaram descontentes com os rumos do partido, contestaram os rumos da legenda, mas perderam a queda do braço para Maranhão.

A decisão do senador deixou o MDB isolado, longe de outras lideranças – como o prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo (PV) e o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), que são nomes importantes nas próximas eleições. Preocupados com essa situação, já que precisam de apoios para a corrida proporcional, deputados do MDB aproveitaram a janela partidária para buscar abrigo em outras legendas sem sofrer punições.

O deputado André Amaral se filiou ao PROS. Com essa movimentação, tem mais segurança do que tinha no MDB, já que a nova ‘casa’ é comandada por seu pai.

Hugo Motta migrou para o PRB, levando junto o ex-prefeito de Patos, Nabor Vanderley, e tornou-se presidente da sigla.

Também descontente com o MDB, o deputado federal Veneziano Vital do Rego mantém conversas com outras agremiações como Podemos, DEM, PSB e PROS. Ele apoia a candidatura do secretário João Azevedo (PSB) a governador.

Outros parlamentares que já detém poder sobre um partido político há mais tempo são Aguinaldo Ribeiro (PP), Benjamim Maranhão (Solidariedade), Damião Feliciano (PDT), Efraim Filho (DEM), Rômulo Gouveia (PSD), Wellington Roberto (PSD) e Wilson Filho (PTB), que quando não presidem de forma oficial suas legendas, colocam aliados ou até mesmo familiares.

Apenas Luiz Couto e Pedro Cunha Lima não detém o comando de um partido. A situação de Pedro, porém, pode mudar a qualquer momento. Fontes indicam que ele mantém conversas adiantadas com a cúpula nacional do PPS. Pedro quer, além de poder, se descolar da imagem do PSDB, que foi atingido pelos casos de corrupção envolvendo figurões do partido, como o senador Aécio Neves.

As buscas por uma agremiação que possa chamar de sua, entretanto, não se restringe aos parlamentares. Sem a tão aguardada união das oposições, o prefeito Luciano Cartaxo, que era do PSD e estava subordinado ao deputado federal Rômulo Gouveia, foi comandar o Partido Verde. Agora ele tem autonomia para direcionar o apoio do partido a quem ele quiser.

Manoel Júnior, atual vice-prefeito da capital, demonstrou interesse de disputar o governo. Se ele optar por este caminho, vai precisar mudar de partido, já que o MDB tem uma candidatura consolidada. O PSC se colocou à sua disposição.

Em suma, ter o comando de um partido possibilita maior autonomia para articular composições políticas, realizar o fortalecimento de uma candidatura, além de gestão sobre o tempo de TV e o fundo partidário. Foi isso que motivou o troca-troca de partidos pelos parlamentares paraibanos.

Redação com Polêmica Paraíba

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