PESOS DELICADOS, PASSOS ALADOS – Bailarina de 9 anos terá casa construída com ajuda de policiais e doações

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Texto/fotos: Val da Costa
Vídeo/fotos: Diego Pontes


“Plié, relevé, Plié, relevé…”

Repetidamente, os passos do balé clássico de Raissa Andrade, 9 anos, desenham uma coreografia no ar. Algumas aulas recomeçaram presencialmente, com os cuidados adotados por causa da pandemia.

Ao som de um Adagio (andamento musical lento), ela tem mais de um motivo para sorrir, mesmo por trás da pequena máscara. Em outubro, a casa dessa comunicativa moradora da Favela do Papelão, em Campina Grande, começa a ser construída.

A concretização do sonho começa a acontecer inicialmente por causa dos policiais militares Rômulo Gouveia, Yury Soares e Josenilson Soares. Eles são da Radiopatrulha, sistema de policiamento que também realiza um trabalho social na Favela do Papelão, onde conheceram a Raissa sonhadora.

A menina se move livre, como um Zaratustra, passando as mãozinhas pelo simples das coisas altas da vida. Raissa voa leve agora. Com uma deusa através dela, plana ao redor do sonho.

A arquiteta Inaiama Aires deu o projeto da pequena moradia. Dois quartos, cozinha, banheiro e até uma área de dança com barra para Raissa ensaiar. A mãe da menina, Ivoneide se emociona com a generosidade.

E o mestre de obras Edinho? Ele também decidiu embarcar na realização desse sonho e já confirmou o começo dos trabalhos de construção da casa. A família recebe doações de pessoas que sequer conhecem, inclusive de materiais de construção.

Inspiração aos 4 anos

“Quando eu danço, eu me sinto inspirada”, afirma a vozinha delicada e ao mesmo tempo determinada. Como boa bailarina, ela alimenta o coração com seu maior desejo.

Encaixe no quadril, olhos miúdos castanhos fixam o futuro: em breve ela fará um ensaio fotográfico com uma profissional da Escola de Teatro Bolshoi do Brasil. Sim, pode ser que deste ensaio saia um convite para ela fazer o teste e garantir uma bolsa integral no Bolshoi.

O professor de balé de Raissa, Vagner Gomes, torce por ela desde o dia em que se matriculou e viu na meina todas as características necessárias a uma bailarina.

O impulso do salto

Raissa mora desde o ano passado na segunda ocupação da Favela do Papelão, ao lado do ginásio O Meninão, no bairro Dinamérica. Com a construção de um hospital pela gestão municipal naquela área, as seis casas de papelão, compensados e materiais reciclados de todos os tipos foram desmontadas e remontadas após o ginásio.

Uma moradora cedeu um barraco de papelão, na mesma comunidade para família ficar até a conclusão da casa. Assim, pesos delicados foram se transformando em passos alados.

Raissa, o irmão Riam, 11 anos, e a mãe Neide já vêm da primeira formação dessa favela de catadores de reciclados. O barraco da menina enterrava um pouco o brilho da família. Um esgoto passava logo na entrada, ameaçando a saúde. Um lugar de ausência do que nela transborda: alegria.

Caminho longo à pirueta

Os mesmos pés ainda pequenos de Raissa que aprendem a saltar alto estão acostumados a caminhar por muitos quilômetros.

Sem dinheiro para o transporte público, Raissa e Ivoneide caminhavam do Dinamérica ao Teatro Municipal Severino Cabral, numa distância de aproximadamente 5km. Lá, ela estuda na escola do Balé Cidade de Campina Grande.

Com a repercussão da campanha criada pelo policial Rômulo e os amigos, que conseguiu mobilizar uma boa ajuda, a pequena bailarina e a mãe estão usando transporte por aplicativo. A professora de balé Thalita Nóbrega ofereceu uma bolsa para aprimorar os estudos e também paga os deslocamentos das duas até o local.

Depois do sucesso da primeira vakinha que os policiais fizeram, arrecadando R$ 18 mil entre contribuições e doações pessoais, o site Razões para Acreditar criou esta aqui, que já conta com quase R$ 40 mil doados.

Quer ajudar Raissa a dar o primeiro grande salto na vida dela? Colabore clikando no link e escolhendo a melhor forma de ajudar. Conheça Raissa e interaja!

Confira o vídeo com os depoimentos:

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