Taxa de analfabetismo na Paraíba é maior entre homens, aponta IBGE

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Foto: Lillyane Rachel/Portal T5

As linhas de expressão no rosto reúnem histórias de luta e perseverança para sobreviver em uma sociedade desigual. O sorriso frouxo e o brilho no par de olhos azuis demonstram a esperança de quem nunca desistiu de ser feliz e encontrar o seu propósito no mundo, mesmo com as provações durante a vida que às vezes se mostrou amarga e difícil. Aos 55 anos, Seu Renato Faustino relatou que nunca teve a oportunidade de estudar por causa da necessidade de trabalhar desde criança e as dificuldades que enfrentou em consequência disso.

“Até hoje tento descobrir, na minha mente, como é o estudo. Penso que deve ser um dos maiores focos para a vida de um ser humano”, afirmou. Natural de Pedra Lavrada, no Cariri paraibano, ele e os oito irmãos precisaram abdicar dos estudos devido à pouca condição financeira. “A minha infância sempre teve muito trabalho e pouco espaço para estudo e lazer. A única educação que eu tenho é a de berço”, disse à reportagem. Seu Renato pertence ao grupo de 16,1% de paraibanos com 15 anos ou mais que ainda são analfabetos no estado, segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, os homens foram a maioria, sendo 19%. Já a taxa das mulheres, foi de 13,5%.

Ainda de acordo com o IBGE, esse número total representa o segundo maior índice do país, atrás apenas do estado de Alagoas, com 17,1%. Segundo o órgão, a taxa de analfabetismo é o percentual de pessoas de determinada faixa etária que não sabe ler e escrever um recado ou bilhete. Atualmente exercendo a profissão de pedreiro em João Pessoa e com a rotina de 9 horas de trabalho por dia, Seu Renato disse que vive a realidade de encontrar os filhos e a esposa apenas a cada 15 dias. Ele relembrou ainda que já sentiu na pele as angústias ocasionadas pela falta de estudo e os períodos de desemprego que enfrentou.

“Já trabalhei com um pouco de tudo, como vaqueiro e encarregado, por exemplo. Vivi momentos de não ter o que enviar para a família. Por isso, digo que cada ser humano precisa valorizar o que tem”, afirmou, emocionado. Questionado se ainda possui o desejo de estudar, seu Renato respondeu: “Nunca é tarde para aprender. Tenho vontade, mas me falta tempo”, lamentou.

Embora privado de conhecimentos técnicos ou da linguagem rebuscada, ele carrega consigo valores que perpassam certificados e diplomas acadêmicos. “Com a experiência de vida que a gente adquire com o tempo, compreendi que ninguém é sábio de tudo. Dou a educação que está ao meu alcance tratando as pessoas bem e, se um dia eu virar milionário, saberei tratar com respeito do mais pobre ao mais rico”, declarou.

Redação Paraíba Debate com Informações T5PB

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