VEJA: Igreja apaga tapete de Corpus Christi que dizia ‘Fora Temer’

Por decisão da própria Paróquia, a mensagem teve que ser modificada

Em meio à tradicional confecção de tapetes para Corpus Christi nas Ruas de Aratiba, a cerca de 400 km de Porto Alegre, uma mensagem chamou atenção dos moradores na manhã desta quinta-feira (31): no tapete criado pela Pastoral da Juventude da Paróquia Santiago de Aratiba, estava escrito “Fora Temer” no espaço designado a eles pela organização. Por decisão da própria Paróquia, os integrantes do grupo receberam ordens de modificar a mensagem. Escreveram, então, “amar sem temer”.

Insatisfeitos, membros da Igreja apagaram todas as inscrições, inclusive um símbolo feminista incluído pelo grupo de jovens. “Não é lugar para se manifestar politicamente”, define o membro do Conselho Econômico da Igreja, Walter Meurer.

A decisão provocou discussões na cidade de quase 7 mil habitantes do Norte do Rio Grande do Sul, de acordo com Walter. Segundo ele, todas as 17 entidades que receberam um espaço para criar o tapete ganharam as instruções, antes do feriado, sobre como deveriam ser os desenhos. Entre elas, está “não desenhar símbolos das entidades ou outros símbolos que não sejam religiosos”.

Foi por esse motivo, conforme Walter, que a Igreja resolveu apagar a mensagem, decisão que foi apoiada pelo padre Dirceu Balestrin. “Eles sabiam o que podiam colocar [no tapete], por que fizeram diferente?”, resume Walter, que não acredita que o ato possa ser configurado como censura. “Aquele não era lugar de se manifestar. Foi o melhor a ser feito”, conclui o religioso.

Por decisão de membros da igreja, tapete foi apagado antes da procissão de Corpus Christi em Aratiba  (Foto: Arquivo Pessoal )

Uma das integrantes da Pastoral da Juventude, Rafaela Dellagostin classifica as mensagens como um “desabafo” do grupo sobre suas insatisfações com o país e com o governo de Michel Temer. “O Fora Temer significa que não aceitamos o congelamento dos investimentos na área da saúde e da educação, a retirada direito dos estudantes através do FIES, do Ciências sem Fronteiras, das bolsas de estudo nas universidades federais”, cita ela.

Na visão dos jovens, diz Rafaela, não é possível separar política de religião. “A justificativa que usaram ao apagar é que religião e política não andam juntas, mas entende-se que Jesus Cristo foi o maior político da humanidade, pregava sempre defendendo os pobres e excluídos, enfrentava o imperialismo para defender os excluídos. Quem fala que religião e política não combinam não conhece a história”, opina Rafaela.

Redação com informações do G1

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